A IA não vai te substituir. Vai te fazer se perguntar pra quê você serve.

Toda semana aparece uma nova pesquisa sobre quais empregos a IA vai eliminar. Analistas financeiros, redatores, paralegais, desenvolvedores júnior. A lista cresce.

Mas o que me parece mais interessante não é o dado de substituição. É o que está acontecendo com quem ainda tem emprego.

O problema de ser mais rápido do que você

Tem uma coisa muito específica que acontece quando você usa uma ferramenta de IA no trabalho pela primeira vez de verdade: ela entrega em dois minutos o que levava duas horas.

A reação imediata é alívio. A reação seguinte — que demora um pouco mais para chegar — é uma pergunta estranha: então o que é que eu faço aqui?

Não é uma pergunta sobre produtividade. É uma pergunta sobre significado.

David Foster Wallace escreveu em 2005 que quem venera o intelecto “acabará se sentindo burro, um farsante na iminência de ser desmascarado.” Ele estava falando de outra coisa. Mas quando leio esse trecho hoje, penso inevitavelmente nas pessoas que identificam o próprio valor com o próprio output — e que agora têm um output concorrente que não dorme, não pede feedback e não tem crise de carreira.

Mattering como resposta

No SXSW de 2026, uma pesquisadora chamada Jennifer B. Wallace trouxe um conceito que está movimentando conversas de gestão lá fora: mattering. Sentir que você importa — não só que você entrega.

A definição é simples: sentir-se valorizado por quem você é + ter a oportunidade de gerar valor para outros.

O que é diferente de “ser produtivo.” Você pode ser extremamente produtivo e não sentir que importa para ninguém.

Mattering é mais específico e mais humano: você importa para pessoas reais, em situações concretas, de formas que não podem ser automatizadas.

A IA pode fazer o relatório. Não pode olhar para o colega que está em silêncio há três dias e perguntar se está tudo bem.

O que você faz no trabalho que só você poderia fazer — não porque é mais rápido, mas porque é você?


💌 Mattering como conceito entra em detalhe na newsletter de 22 de abril.

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